Na semana passada publicamos a história da professora Erika Ribeiro, de Juazeiro (BA), que mantém um blog de poemas (veja o relato aqui).
Desta vez apresentamos a professora Marta Reis, de Betim (MG), contista premiada e que lançou em 2012 seu primeiro livro infantil, Uma viagem inesquecível.
Em relato que mistura história de vida e a formação como leitora e escritora, Marta fala da paixão pela literatura e pela profissão que abraçou, além das dificuldades de conseguir publicar um livro. Fala também da sua experiência de trabalho com a Olimpíada.
Veja na próxima semana o último relato da série, com o depoimento da professora que lançou livro com suas memórias depois de trabalhar com esse gênero na Olimpíada.
Tarefa de gente sonhadora
Marta Reis
Desde pequena gostei muito de histórias, tanto de ler, quanto de escrever. Eu morava em Martinho Campos, pequena cidade do interior de Minas e, naquela época, não tínhamos TV. Naquela casa antiga com quintal enorme, brinquei muito. Se a pobreza material era imensa, sobejava-nos afeto, amizade, brincadeiras. Naquele quintal, eu e os meninos da vizinhança vivemos mil aventuras: pique-esconde, passa-anel, boca-de-forno e tanta brincadeira gostosa que hoje virou folclore. Sem sombra de dúvida, foi uma infância rica, muito rica, apesar das dificuldades.
Aos doze, treze anos de idade me mudei para Divinópolis e fui estudar na Escola Polivalente, onde Adélia Prado lecionava. Certo dia eu queria muito escrever; uma história me cutucava por dentro. Passei o dia todo com aquilo me martelando a cabeça. À noite, horário em que estudava, eu praticamente implorei à professora para dar uma redação. A professora disse-me que redação não estava em seu planejamento. Mas implorei tanto, tanto que ela deu a tal redação. E eu escrevi em prosa poética (nem sabia o que era isso na época) o texto: Deus. Então a professora organizou um concurso literário e meu texto foi vencedor. Eu ganhei medalha e um exemplar do livro Para Gostar de Ler. Ali estava a sementinha da escritora. Nesta mesma escola assisti a um evento do qual nunca me esqueci – Adélia Prado fez o lançamento de seu livro Bagagem. Aquilo foi um acontecimento de honra para todos nós. Eu era muito menina, mas ficaram marcas indeléveis para toda a vida.
Por acreditar no Projeto Olimpíada de Língua Portuguesa, participei das edições de 2008, 2010 e agora, em 2012. Em 2008 participei com o gênero Poema, em 2010 e agora em 2012 com Memórias. São fantásticos o material e as oficinas. Tudo muito bem organizado, possibilitando que o professor realize um trabalho lúdico e dinâmico. Meu gosto pela leitura e escrita facilita meu trabalho e muito. Se eu amo ler e escrever, então consigo realizar alguns trabalhos de leitura e escrita que contagiam os aprendizes. A gente só pode tocar o outro quando fazemos aquilo de que gostamos. Enquanto vou ganhando meu espaço e reconhecimento como escritora, também incentivo meus alunos a gostar de ler e de escrever. E eles se surpreendem quando veem livros meus na biblioteca. E dizem: “nossa, a professora é escritora mesmo!”. Para eles escritor está lá longe, numa realidade distante.
Fonte: Olimpíada de Língua Portuguesa
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