sábado, 7 de junho de 2014
O Sagrado Vale de Contendas
O conjunto de todo esse recanto é um lugar de tanta tranquilidade
e paz que se assemelha a uma sublime e onipresente oração. A
paisagem do vale – morro entre morros –, e os acontecimentos relevantes
de uma vida inteira memorável, estão vivos, permanentemente nas
conversas de Amadeu – um senhor de idade.
O caminho, de escarpas nas bordas do morro, feito pelos passos
do homem que me conduz a um lugar cheio de silêncio. Sequer um
canto de passarinho aqui se ouve, nem qualquer zumbido de inseto.
Apenas o murmurejo da água, cristalina e fria, que rola nas pedras vinda
da mina.
Há cipós grossos e fi nos de São João, emaranhados a muitas moitas
entre antigas árvores e as barras, cocurutos de terras de barros escuros,
se arredondam: as enigmáticas sepulturas indígenas. E Amadeu
foi quem ali plantou, tempos passados, várias árvores ornamentais, às
quais ele se dedica em preservar e cultuar, de forma um tanto singular.
Ele se entusiasma com tais sepulturas que se mantêm intactas,
apesar de todo o tempo. A preservação lhes dá originalidade e o lugar
de modo geral se manifesta virginal. As árvores crescem na clareira do
vale... As folhas verdes transmudam de cor, quando raios de sol perpassam
pelas frestas vegetais.
De um lado a outro, há dois córregos de minas, trabalhados pelas
ferramentas mais rudimentares dos índios que outrora habitaram este
lugar... Hoje, essas relíquias são reverenciadas por Amadeu.
– Será que a água mantém fi os de ligação com vidas passadas?
– Indaga-me Amadeu. Eu nada digo. Apenas me perco, perplexo e radiante,
naquela paisagem.
Subimos o cume do morro, palhadas abertas onde vacas pastam,
e diante da pequena planície com árvore isolada, respiramos em pausa.
Percebi que Amadeu se cansava fácil, devido à idade. Porém disse:
– Apesar da minha convalescença, não me sinto cansado. O sertão
é a minha vida! – falou dissimulando a fadiga.
E, depois de alguns minutos, continuamos a caminhar no trilho
de vaca, estreito e tortuoso – serpenteando o pasto acima. Seguimos
além do gramado, até as outras sepulturas indígenas.
– Agora, venha seu senhor moço, que lhe vou mostrar outras sepulturas,
num total de mais de dez, esparramadas nesse terreno. Logo
acima a colina o mato foi roçado, capinado e acabou virando pastagem
para o gado. As sepulturas indígenas estão vulneráveis, o que leva seu
Amadeu a fi car ruborizado de raiva.
Com seu chapéu marrom e blusa azul de um único bolso, onde
se vê uma caneta e algumas notas de dinheiro. A gola triangular mostrava
sua camisa de marinheiro por baixo. Vestia também calça jeans
entrando bota adentro.
Amadeu me mostra os limites de sua propriedade: Terras de
Contendas, até o outro lado de lá de Ferrabrás. Paramos debaixo de
uma árvore de camará e ele respira forte. Um vento sopra morno, trazendo
aromas dos morros verdejantes. Amadeu retira do embornal um
punhado de pregos e arestas velhos e até enferrujados alguns.
Enquanto caminha, seu olho perspicaz não deixa de observar nenhum
detalhe do caminho. E comenta seu trabalho de preservação daqueles
matos nativos que proporcionam o gotejar de várias nascentes.
Explica que mandou fazer um poço artesiano, entre minas, de dezesseis
metros de profundidade. Acrescenta:
– O resultado é esse, ó senhor moço. A gente pode perceber e
sentir muito bem o quanto é refrescante essa água.
Então Amadeu se agacha e com suas mãos saboreia o melhor
paladar de água existente na terra.
– Mas, seu moço, você também não deveria calçar sandálias para
andar neste cerrado, pois as mordidas das formigas são terríveis – observou
e exclamou Amadeu.
Ele comenta que seu conhecimento está todo cristalizado em sua
vivência no sertão. Ele mostra a casa antiga de seu pai, onde aprendera
as primeiras letras, com um mestre que o pai contratara... Amadeu tem
ânsia para falar...
No entanto, ele lamenta que seu tempo de aula durara parcos
dois meses e sete dias – foi a permanência do mestre naquele vale.
Flashes da infância lhe sobrevêm com frêmitos de saudade: o trabalho
na lavoura, a colheita do feijão, do milho, da cana-de-açúcar, da
mandioca... O transporte dos frutos da lavoura para a cidade próxima...
A coberta onde ainda hoje ele mantém dois carros de bois...
Agora o caminho de volta é entre pareados pés de coqueiros de
macaúbas. Dali num trilho, totalmente particular, vai dar num lugar
ainda mais recôndito – a igrejinha branca do Dom Orioni. O sino de
bronze de quinze quilos está ao lado direito da igrejinha, pra quem vem
descendo, os banheiros construídos pelas mãos de Amadeu e o campanário,
que deu estima a ele, o galpão modo de abrigar os fi éis, muitos
vindos de longes lugares e cidades. Isto quando sua família arranja jeito
de celebrar missa, apresentações de folias de reis e congados – ambas
de todas gerais e minas.
Ao passar pela tronqueira, ele percebeu a falta de uma aresta no
arame farpado. Então do bolso da calça jeans, retirou um martelo e do
embornal uma aresta e tratou logo de retifi car a cerca que circunda todo
o campanário. E diz:
– Quem despreza algo aparentemente imprestável, mais tarde
sentirá falta dele!
O orgulho de Amadeu é a igrejinha do Dom Orioni. O Santo Luís
de Orioni, segundo lhe contara compadre Gamalieu, está intacto na capital
do Vaticano.
– Olha, seu moço, hoje o dinheiro pode tudo, quem o tem faz
algo e quem não tem vive no simples da vida. Na época em que eu
era moço, só havia trabalho e trocas de mercadorias. O trabalho que
trazia ontem mantimentos é hoje o dinheiro que traz algo a mais. Na
minha época o dinheiro era difícil. Para você pôr idéia, nem havia por
essas paragens um relógio. O trabalho se iniciava com a luz do dia e
terminava com o início da noite. Havia grandes empreitadas... O milho
colhido era para criar porcos; o feijão para o sustento da família; a cana
para fazer o melaço, açúcar preto e rapadura e a mandioca o polvilho e
a farinha. A produção excedente era conduzida por carro de bois a cidades
vizinhas – carreado por mim –, por essa estrada e morros acima.
– Amadeu não cansa de falar.
A tronqueira de arame é aberta por ele e caminhamos em direção
à casa nova – casa amarela – que se tornou o sítio para os seus fi lhos que
às vezes aparecem. Após se casar, por muitos anos, Amadeu trabalhou
e viveu na cidade grande para educar e colocar seus fi lhos para a vida.
E continuou sua prosa:
– Aqui antes na casa viveu meu pai, o senhor Olegário, médico
prático – reconhecido em muitas freguesias distantes. O meu pai obteve
permissão, com carta assinada, de outros médicos especializados,
abonando-o como autoridade de clinicar. Ele era procurado para tudo
– muitas pessoas também vinham aqui para o meu pai dar o melhor parecer
nas questões de intrigas e rixas por disputas de terras. Aqui então,
pôs o nome de Contendas. Ele resolvia as brigas e também curava, pois
conhecia plantas medicinais que curavam os males do corpo e da alma.
Dentro da casa, Amadeu sem se acomodar, ainda acrescenta:
– Aqui olha, seu moço, a televisão veio para deseducar e jogar
em nossas memórias o que não serve; sem pedir licença a ninguém; sem
nenhuma permissão. A televisão destruiu o sertão e a modernidade
acaba com o mundo. O moderno é pura decadência humana, pois nos
impõe seu modo de ver e sentir o mundo, desrespeitando nossas raízes.
Indignado, Amadeu de cabelos já grisalhos, aponta a antena de
TV a cabo, sobreposta ao lado da casa amarela.
Voltamos a caminhar, entre o curral e a sombra do pé de jatobá.
Logo à frente, na foz da mina que fi ca à direita do morro, entre
pés de coqueiros de macaúbas e de muitas plantas ornamentais e
medicinais está localizada a casa de Amadeu – tamanho teluricamente
apropriada ao aconchego dele; escondido de todos do mundo – onde
ele não ouve notícias nem sequer conversas truncadas de vizinhos.
Aliás, vizinho por ali nem tem um por perto. Amadeu ouve apenas
no radinho de mão – antigo –, as rezas do terço pelas manhãs e que
o acompanha ao sair de casa na hora da missa vespertina, porque, às
vezes, o trabalho lhe acode. Ouve missa e trabalha...
Raramente ouve notícias de futebol. Ademais trabalha, o que
não é de costume aos homens de sua idade, porque esses já estão mais
para o outro lado do que pra cá. Com bravios olhos mansos, dentro
de sua casa seu olhar procura, desesperadamente, os melhores livros –
parcos, porém guardados desde quando entendia por gente – amontoados
numa prateleira perto da cozinha, e, assim, esses são consumidos.
E o espírito dele ali se alimenta, aumenta, e se sente mais livre.
Pedaços de matéria recortadas de antigos jornais... Pequenos pedaços
de lápis; folhas de papéis multicores, manuscritos; papéis almaços; cadernos
e cadernetas de formatos que não se encontram mais... Na prateleira
tudo se acha...
De repente, o celular toca no carro e o moço, já na despedida,
ligando o automóvel, vê Amadeu lhe dando as costas e se dirigindo a
sua casa, com toda a sua tranquilidade sertaneja. E da pequena janela
de sua casa acena com um adeus.
Atrás a paisagem do vale de Contendas se desperta pelas curvas
bem traçadas dos morros e o maior deles – onde afl ora mina d’água
dos dois lados, logo abaixo em destaque a igrejinha de cor branca, a
casa nova arcada pela vegetação e as sepulturas indígenas ocultas – e,
sobretudo, os acontecimentos relevantes que vivos, estão na memória
incomensurável de Amadeu. O único homem capaz de enxergar que as
águas que ligam os dois córregos, um acima do outro, sobem... Com os
seus oitenta e dois anos de idade...
Volto... Em arrebatamento! Sei que estas paisagens para sempre
estarão estampadas em minha memória.
Mas por agora, as vejo desaparecendo no retrovisor do carro...
Conto do Livro Todos os dias de ontem
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Análise de Obra, Análise Crítica
Newton Emediato, filho do campo, nos presenteia com uma obra curiosa, estórias e histórias, contadas de uma maneira um tanto romanesca bem como “Grande Sertão Veredas”, de João Guimarães Rosa. Mas não é de amor roseano que seus contos retratam, é da seca interior, é bem ao estilo de “Vidas Secas”, o sertão que existe em cada um de nós e que se agrura de forma mais aguda nos sertanejos na luta esperançosa de vida naquelas terras insólitas.
| Autor da Capa Uendel Dias |
FILHO, Newton Emediato. Todos os dias de ontem. Belo Horizonte: Usina do Livro, 2012.
Palavras-chave: Contos brasileiros; Ficção brasileira; Sertão
Newton Emediato, filho do campo, nos presenteia com uma obra curiosa, estórias e histórias, contadas de uma maneira um tanto romanesca bem como “Grande Sertão Veredas”, de João Guimarães Rosa. Mas não é de amor roseano que seus contos retratam, é da seca interior, é bem ao estilo de “Vidas Secas”, o sertão que existe em cada um de nós e que se agrura de forma mais aguda nos sertanejos na luta esperançosa de vida naquelas terras insólitas.
Os contos deixam o leitor a perder de vista no enredo, um suspense sugestivo fica solto no ar, não se conclui a história com a elucidação dos fatos. Cabe ao leitor ter a imaginação de possíveis desfechos e desdobramentos da história. Eis a forma pela qual perpassa a escrita dessa obra, em todos os contos sem exceção. A história não é linear, o conto tem seu ápice, mas os constantes suspenses que levam o leitor a uma ânsia pelo final, um desfecho provável, que na verdade torna-se improvável.
“Sertão é o que está dentro da gente” (Guimarães Rosa), e esse sentimento é o que se encontra nas veredas secas do ser... A vida campesina é o retrato dos contos de Newton Emediato Filho em “Todos os dias de ontem”. Cada conto relata possíveis sobrevivências de um povo malogrado pela seca, pelo desdém social. A vida campesina é um esboço da distância, do isolamento, do ermo, do saudosismo de uma vida regressa. Tempos mudaram e junto vieram o abandono e tudo passou por mera nostalgia de um lugar que antes fora longínquo, puro e bom.
Percebe-se de modo geral, a presença do silêncio. O silêncio do tempo, o silêncio entre duas pessoas, o silêncio da dor, da tristeza e da sequidão. Assim como o silêncio de Fabiano, personagem de “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, um silêncio que diz tudo e não diz nada. Uma linguagem sígnica representada no gesto, na expressão da ausência que significa mais do que a falta da água e da palavra, falta essas que secam a voz de muitos personagens. Silêncio que se perde na dura vida que silencia o grito interior, o sentimento não correspondido, o grito interior silenciado pelas lágrimas da personagem Luna, o silêncio da morte, da perda. O sertão é silêncio, a vida campesina longe do barulho é silêncio e paz. A aridez sertaneja não é apenas geológica é interiorana, ela adentra e enrijece a alma.
Newton é um profundo conhecedor e pesquisador de Guimarães Rosa, percebe-se em seus contos a vida do campo, mas o sertão é uma linha imaginária que percorre o norte de Minas e também seus contos. A dicotomia de um lugar cuja produção ainda sobrevive às duras penas. As dificuldades são constantes e presentes em toda a obra, uma marca da vida sertaneja, labuta diária pela sobrevivência, buscando alimento físico e interior. Ser-tão, chão seco, árido e improdutivo, ironia de quem extrai dessa terra argilosa, a arte de uma economia criativa, mais uma vez a sobrevivência persiste.
As relações humanas é a pauta constante na obra, como lidar com o outro, com o silêncio do outro, a mudez de não saber se expressar pela falta que a escola fez, dirimindo a escrita e a língua. O sertanejo é iletrado, não consegue lidar com a vida social pela falta de estudos, não tem capacidade nem de usar da sua experiência para dar conta das negociações da vida. Negociações essas que exigem dele leitura e articulação retórica para estar em convívio social, por essas e tantas outras dificuldades o sertanejo vive isolado, longe e distante. Ele só consegue dialogar consigo mesmo. Internalizando seus pensamentos, anseios e ideias. Mudo.
Ao contrário de Grande Sertão, em “Todos os dias de ontem”, o linguajar dos personagens não é recheado de neologismos, não apresenta vocábulos de retirantes nem de sertanistas, a ambientação rememora os campos montanhosos. Retrato de Minas que sobe cada vez mais ao norte e perde de vista o verde das montanhas pra ganhar o amarelo marrom da argila bruta. Brutez da vida que se molda nas mãos de Luna e se esvai sob o olhar de Lina. Doces são as jabuticabas onde raras cidadelas sobrevivem ao rio perene, ali a vida é diferente, não tem argila, não tem uma vida, tem várias...estórias mais que não querem calar pelas mãos de Newton Emediato Filho.
Todos os contos da obra pode-se extrair o látex que a borracha não conseguiu apagar, desmanchar!
Isa de Oliveira
Poeta, escritora e artista
Mestranda em Estudos de Linguagem – Letras / CEFET-MG
MAI/2013
sábado, 8 de dezembro de 2012
Todos os Dias de Ontem livro de Contos Lançado na Academia Mineira de Letras
Autor da capa: Uendel Dias
Editora Usina do Livro
Páginas 132
Tamanho 14X21
Valor do livro: R$15,00 + R$5,00 ( frete )
Todos os Dias de Ontem reúne vinte contos inéditos e é o segundo do autor. Este é um projeto premiado pelo Programa + Cultura Bacia do Rio São Francisco/ FUNARTE e Ministério da Cultura. O trabalho coleta histórias de tradição oral contadas na região centro-sul de Minas: alto do Paraopeba; levando em conta a alteridade.
Newton e suas maçãs
Pequi maduro, flor de ipê amarelo, garapa: esses são os aromas que exalam da maçã poética que Newton, mascando nuvens por sob o copado pé de literatura, descobre em queda livre no permeio de escassas folhas e esparsos ramos, sutilmente bordados com o brilho de luas e estrelas de sua Minas Gerais natal, terra de rendeiras, moendas e pirilampos.
Sua poesia finamente amadurecida se manifesta em contos marcados pela cultura popular e pela oratura característica das comunidades do interior desse nosso Brasil profundo. Às divindades telúricas, Newton oferenda fábulas encantadoras e mágicas – como se fora um sertanejo enamorado, ressoando, nas tesas cordas da viola, seus fugazes amores – em quase iluminada noite de quarto crescente.
Os contos de Newton têm o denso sabor de uma revolução copérnica às avessas: relembram esses contadores de causos que encantam os astros e o firmamento, os quais, por sua vez, cedem à tentação de refazer suas trajetórias pretensamente definidas pelas leis imutáveis da atração entre massas.
Assim como sonha sua personagem Luna, nosso escritor molda na argila do verbo um universo em cujas esquinas – polidamente arredondadas – diferentes experiências de vida transcorrem e constroem um entrelugar de todas as existências humanas. Esses entrelugares são deslocados como os “biomas de transição” – Mata Atlântica e Cerrado – que se distribuem em alternância com faixas mais agrestes da Caatinga mineira, no espaço lúdico em que evoluem personagens e histórias.
A vida árida desses personagens, seus improváveis encontros e inevitáveis desencontros em meio à vegetação rarefeita, correspondem à exaustiva jornada da existência humana. Na casa de Fabrício e Felício, “fotos ancestrais” são imagens evanescentes que relembram a formação do povo brasileiro, em sua perene luta pela sobrevivência, sempre em processo de erosão em virtude das intempéries naturais, sociais, familiares ou individuais.
Como as cartas amiúde extraviadas voluntariamente pelas mãos de Felício, o carteiro analfabeto, o destino bate aleatoriamente à porta dos moradores das casas e casebres do sertão, à porta de todos nós. Nas páginas de Newton, a maçã letrada tem também seu sabor de pecado originário – é por seu intermédio que a danação distribui-se generosamente entre todos, sem exceção. Quem nos dera podermos devolver ao remetente o destino que nos foi misteriosamente endereçado em letras ilegíveis!
Que o leitor sucumba ao chamado dessa maçã: o pomo da danação é sua sina irremediável!
Boa leitura.
Marcelo Marinho
Doutor em Literatura Comparada , realizou sua formação universitária na Sorbonne, em Paris. Leciona Literaturas de Língua Portuguesa e Teoria Literária na Universidade Federal da Fronteira Sul, em Santa Catarina.
O escritor e pesquisador Newton Emediato Filho, natural de Belo Vale, Minas Gerais é formado pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas/UFMG. Graduou-se em Ciências Sociais (Sociologia, Antropologia e Política) e se especializou na Faculdade de Direito, da mesma Universidade, em nível de Mestrado em Assessoria Técnico-Legislativa Avançada.
É autor de vários ensaios sobre a obra de um dos maiores escritores latino-americanos, João Guimarães Rosa e outros.
Um Carro de Bois que Transportava Logos é seu primeiro romance O conto Um Papagaio Palimpséstico recebeu os prêmios: Projeto Manuelzão/UFMG e Menção Honrosa pela Editora Guemanisse/Teresópolis/Rio de Janeiro/RJ. Newton também foi premiado no Concurso Guimarães Rosa com o conto O tempo de um livro na IV Jornada Guimarães Rosa/UFMG, organizada pela Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - SOBRAMES. Participou ainda do livro Asgard: A Saga dos Nove Reinos lançado em 2011 pela Editora Jambô, com o conto Em Transe.
Newton representa a Seccional da Associação Internacional dos Poetas Del Mundo de Minas Gerais. Também é Embaixador Universal da Paz pelo Círculo de Embaixadores Universais da Paz Genebra/Suíça.
contato: newdiato@hotmail.com
31 9177 1805
31 9177 1805
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Todos os Dias de Ontem Prêmio + Cultura/Funarte/Ministério da Cultura
Belovalense ganha prêmio pela FUNARTE/PROJETO + CULTURA PELO MINISTÉRIO DA CULTURA/2012
Todos os Dias de Ontem será o segundo livro solo do autor com vinte contos inéditos. A edição deste livro é um projeto premiado pelo Programa + Cultura Bacia do Rio São Francisco/ FUNARTE e ministério da Cultura. Este trabalho reúne histórias de tradição oral contadas na regiião centro-sul de Minas: alto do Paraopeba; levando em conta a alteridade.
Este livro será lançado brevemente em vários municípios mineiros e em outros estados do Brasil.
SINOPSE DO LIVRO: Todos os Dias de Ontem
São vinte contos inéditos de ficção brasileira. O Livro de contos Todos os Dias de Ontem resgata Histórias de tradição oral vividas por vários personagens que possuem destinos similares. O cenário onde os fatos se desenrolam é cada vez mais inóspito devido ao advento da tecnologia que provoca imensas transformações nos costumes e tradições locais; percebendo-se nitidamente a discrepância das desigualdades sociais presentes no Brasil. Os personagens são vários: crianças, adultos e idosos, tendo em comum as mesmas necessidades básicas.
O autor se motivou a escrever este livro quando esteve em contato com várias comunidades remanescentes, compostas por quilombos e fazendas tradicionais, onde interagiu com vários informantes que habitam estas regiões. Realizou-se o que se chama na Antropologia de Observação Participante.
Ao ouvir estas pessoas, o autor registrou em forma de contos, histórias de tradição oral que são contadas por essa gente. A relevância em divulgar estes relatos, é uma tentativa de conscientizar os leitores a refletir sobre a importância da preservação desta cultura regional que se fragiliza à medida que o avanço tecnológico se aproxima. Em contramão desta desvalorização que vem acontecendo, neste projeto há um resgate destas tradições, levando-as ao conhecimento do mundo.
Juntamente à cultura local que se perde gradualmente, também a língua se acultura, assimilando palavras do universo exterior. Quando o autor resgata este linguajar sertanejo, não tem por intenção manter a língua estática, uma vez que compreende a dialética do mundo. Todavia, quer mostrar a resistência linguística que ainda sobrevive paralela a este conflito.
Portanto, o maior dos motivos de um trabalho desta natureza é o respeito à alteridade, quando leva o leitor a perceber que a valorização da cultura do outro é imprescindível. Somente assim é possível amenizar o impacto cultural entre as diferentes regiões culturais do mundo.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Marta Reis é Entrevistada CENPEC
Na semana passada publicamos a história da professora Erika Ribeiro, de Juazeiro (BA), que mantém um blog de poemas (veja o relato aqui).
Desta vez apresentamos a professora Marta Reis, de Betim (MG), contista premiada e que lançou em 2012 seu primeiro livro infantil, Uma viagem inesquecível.
Em relato que mistura história de vida e a formação como leitora e escritora, Marta fala da paixão pela literatura e pela profissão que abraçou, além das dificuldades de conseguir publicar um livro. Fala também da sua experiência de trabalho com a Olimpíada.
Veja na próxima semana o último relato da série, com o depoimento da professora que lançou livro com suas memórias depois de trabalhar com esse gênero na Olimpíada.
Tarefa de gente sonhadora
Marta Reis
Desde pequena gostei muito de histórias, tanto de ler, quanto de escrever. Eu morava em Martinho Campos, pequena cidade do interior de Minas e, naquela época, não tínhamos TV. Naquela casa antiga com quintal enorme, brinquei muito. Se a pobreza material era imensa, sobejava-nos afeto, amizade, brincadeiras. Naquele quintal, eu e os meninos da vizinhança vivemos mil aventuras: pique-esconde, passa-anel, boca-de-forno e tanta brincadeira gostosa que hoje virou folclore. Sem sombra de dúvida, foi uma infância rica, muito rica, apesar das dificuldades.
Aos doze, treze anos de idade me mudei para Divinópolis e fui estudar na Escola Polivalente, onde Adélia Prado lecionava. Certo dia eu queria muito escrever; uma história me cutucava por dentro. Passei o dia todo com aquilo me martelando a cabeça. À noite, horário em que estudava, eu praticamente implorei à professora para dar uma redação. A professora disse-me que redação não estava em seu planejamento. Mas implorei tanto, tanto que ela deu a tal redação. E eu escrevi em prosa poética (nem sabia o que era isso na época) o texto: Deus. Então a professora organizou um concurso literário e meu texto foi vencedor. Eu ganhei medalha e um exemplar do livro Para Gostar de Ler. Ali estava a sementinha da escritora. Nesta mesma escola assisti a um evento do qual nunca me esqueci – Adélia Prado fez o lançamento de seu livro Bagagem. Aquilo foi um acontecimento de honra para todos nós. Eu era muito menina, mas ficaram marcas indeléveis para toda a vida.
Por acreditar no Projeto Olimpíada de Língua Portuguesa, participei das edições de 2008, 2010 e agora, em 2012. Em 2008 participei com o gênero Poema, em 2010 e agora em 2012 com Memórias. São fantásticos o material e as oficinas. Tudo muito bem organizado, possibilitando que o professor realize um trabalho lúdico e dinâmico. Meu gosto pela leitura e escrita facilita meu trabalho e muito. Se eu amo ler e escrever, então consigo realizar alguns trabalhos de leitura e escrita que contagiam os aprendizes. A gente só pode tocar o outro quando fazemos aquilo de que gostamos. Enquanto vou ganhando meu espaço e reconhecimento como escritora, também incentivo meus alunos a gostar de ler e de escrever. E eles se surpreendem quando veem livros meus na biblioteca. E dizem: “nossa, a professora é escritora mesmo!”. Para eles escritor está lá longe, numa realidade distante.
Fonte: Olimpíada de Língua Portuguesa
Deixe um comentário
Arquivado em Uncategorized
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Uma Viagem Inesquecível - Marta Reis
Um convite à vida e à leitura
Nesta história escrita em versos livres, o personagem central é um garoto egoísta e isolado do mundo, de tal forma que seu coração se converte em uma bolha escura. Essa bolha acaba crescendo e envolvendo-o... por completo, o que preocupa sua mãe. Para resolver o problema, a mãe procura um especialista. Este conclui que o garoto construiu um escudo à sua volta, para se defender do mundo. No entanto, não tem como ajudar o menino.
Depois, algumas crianças convidam o garoto para brincar, mas são rechaçadas. Por fim, uma menina negra, chamada Flora, procura fazer amizade com ele, de início sem sucesso. Mas ela decide ler histórias para o garoto, vencendo seu isolamento. Ele deixa a bolha e, graças à magia da leitura, vive aventuras e retorna à sua vida normal, retomando o contato com a família e os amigos.
De início, ele e Flora não conseguem se encontrar, e os dois sofrem com isso. Mas o destino os aproxima novamente, e uma outra história começa. Só então ficamos sabendo que esse menino antes triste, agora feliz, se chama Pedro.
O livro aborda um problema comum nas crianças de hoje, sobretudo nas grandes cidades, que muitas vezes vivem numa redoma, perdidas em videogames e computadores. A solução proposta pela autora, com uma boa dose de poesia, passa pelo encantamento dos livros e pelo carinho da menina, que desperta o protagonista para o prazer de viver.
As ilustrações, feitas por Thais Linhares, acompanham a sutileza do texto, sugerindo possibilidades, sem no entanto se distanciar do objetivo da obra.
O resultado é um livro encantador, cheio de magia: um convite às crianças para viver a vida em toda a plenitude e a beleza da infância.
SOBRE A AUTORA
Nasci em Martinho Campos (MG), onde cresci ouvindo as histórias de minha mãe. Acho que no fundo, sou uma eterna menina que gosta muito de história!...
Porque vou lhe contar um segredo: vida de gente grande fica muito chata se por dentro não guardamos viva a nossa criança. E quando bate esta saudade de colo e infância, pego um bom livro e viajo em aventuras sem fim. Foi por isso que escrevi este livro: Uma Viagem Inesquecível – minha estreia como escritora infantojuvenil.
Antes publiquei poemas, contos e recebi vários prêmios como contista, em projetos literários que circulam no Brasil e no exterior.
Também sou professora de Língua Portuguesa, e como poeta, participo de um grupo de recital de poesia e música, O Pasárgada, e da Associação Internacional dos Poetas Del Mundo. É, minha vida é mesmo uma correria!... Mas eu não a deixo ficar sem graça, pois a literatura é o meu fascínio!...
SOBRE A ILUSTRADORA
Nascida em 1970 para ser astronauta, Thais se refugia de vez em quando em sua bolha. Felizmente é um bolha multicolorida, onde aproveita para criar desenhos, textos, roteiros pra animação e quadrinhos. Mas só enquanto aguarda sua nave ficar pronta.
Uma Viagem Inesquecível
Autor: Marta Reis
Gênero: Infanto-Juvenil
Formato: 20,5 x 27,5 cm.
Págs: 32
ISBN: 9788581300238
Ilustrador: Thais Linhares
Preço: 19,90
Sinopse
Nesta história escrita em versos livres, o personagem central é um garoto egoísta e isolado do mundo, de tal forma que seu coração se converte em uma bolha escura. Essa bolha acaba crescendo e envolvendo-o... por completo, o que preocupa sua mãe. Para resolver o problema, a mãe procura um especialista. Este conclui que o garoto construiu um escudo à sua volta, para se defender do mundo. No entanto, não tem como ajudar o menino.
Depois, algumas crianças convidam o garoto para brincar, mas são rechaçadas. Por fim, uma menina negra, chamada Flora, procura fazer amizade com ele, de início sem sucesso. Mas ela decide ler histórias para o garoto, vencendo seu isolamento. Ele deixa a bolha e, graças à magia da leitura, vive aventuras e retorna à sua vida normal, retomando o contato com a família e os amigos.
De início, ele e Flora não conseguem se encontrar, e os dois sofrem com isso. Mas o destino os aproxima novamente, e uma outra história começa. Só então ficamos sabendo que esse menino antes triste, agora feliz, se chama Pedro.
O livro aborda um problema comum nas crianças de hoje, sobretudo nas grandes cidades, que muitas vezes vivem numa redoma, perdidas em videogames e computadores. A solução proposta pela autora, com uma boa dose de poesia, passa pelo encantamento dos livros e pelo carinho da menina, que desperta o protagonista para o prazer de viver.
As ilustrações, feitas por Thais Linhares, acompanham a sutileza do texto, sugerindo possibilidades, sem no entanto se distanciar do objetivo da obra.
O resultado é um livro encantador, cheio de magia: um convite às crianças para viver a vida em toda a plenitude e a beleza da infância.
SOBRE A AUTORA
Nasci em Martinho Campos (MG), onde cresci ouvindo as histórias de minha mãe. Acho que no fundo, sou uma eterna menina que gosta muito de história!...
Porque vou lhe contar um segredo: vida de gente grande fica muito chata se por dentro não guardamos viva a nossa criança. E quando bate esta saudade de colo e infância, pego um bom livro e viajo em aventuras sem fim. Foi por isso que escrevi este livro: Uma Viagem Inesquecível – minha estreia como escritora infantojuvenil.
Antes publiquei poemas, contos e recebi vários prêmios como contista, em projetos literários que circulam no Brasil e no exterior.
Também sou professora de Língua Portuguesa, e como poeta, participo de um grupo de recital de poesia e música, O Pasárgada, e da Associação Internacional dos Poetas Del Mundo. É, minha vida é mesmo uma correria!... Mas eu não a deixo ficar sem graça, pois a literatura é o meu fascínio!...
SOBRE A ILUSTRADORA
Nascida em 1970 para ser astronauta, Thais se refugia de vez em quando em sua bolha. Felizmente é um bolha multicolorida, onde aproveita para criar desenhos, textos, roteiros pra animação e quadrinhos. Mas só enquanto aguarda sua nave ficar pronta.
Uma Viagem Inesquecível
Autor: Marta Reis
Gênero: Infanto-Juvenil
Formato: 20,5 x 27,5 cm.
Págs: 32
ISBN: 9788581300238
Ilustrador: Thais Linhares
Preço: 19,90
Sinopse
A linguagem das crianças é a linguagem do sonho, da poesia. E é em versos que se conta essa história de um garoto tão de mal com a vida a ponto de seu coração virar uma bolha — uma bolha muito escura, que toma conta dele inteirinho. A solução para esse problema passa por muitos caminhos e muitas pessoas. Mas tudo vai se resolver de uma maneira
inesperada — uma maneira mágica que inclui a paixão por livros, leituras e histórias. Por trás disso está uma menina amorosa, amiga e... muito especial.
inesperada — uma maneira mágica que inclui a paixão por livros, leituras e histórias. Por trás disso está uma menina amorosa, amiga e... muito especial.
Assinar:
Postagens (Atom)






