terça-feira, 29 de setembro de 2026

O VALOR DO VOTO



Durante a República Velha (1889-1930), que prevaleceu no Brasil, houve o máximo da corrupção eleitoral, constituída basicamente nas diversas formas de compra e venda de votos — verdadeiro balcão de negócios. O chamado famigerado curral eleitoreiro — um dos fatores do crescente déficit democrático herdado no Brasil contemporâneo.

Diante desse déficit democrático histórico, que culmina na ausência de políticas públicas reais, faz grande mal à política verdadeira, à cidadania, à soberania e a sociedade civil organizada. Cidadãos e parlamentares decentes de todas as esferas da União se sentem contaminados com esse estado de coisas inescrupulosas. Além disso, sobretudo, o debate de ideias — primordial nas comunidades — irá conduzir à consolidação e eficácia das necessidades locais por meio de projetos populares.

Nessa perspectiva, tanto os políticos quanto a comunidade se tornarão a verdadeira democracia direta, distantes da verdadeira democracia direta, tão longe de nossos políticos tradicionais atuais. Ora, a política real é uma ciência da arte, da persuasão e do convencimento, de criar crenças e formar cidadãos críticos e aptos em defesa de seus direitos.

Ao contrário, ou seja, o autoritarismo dos coronéis da República Velha — políticos ou não, que realizaram políticas sem o agir comunicativo desses dois elos: cidadãos e políticos — conduzia ao abandono e à distância de muitos municípios e vilas e das próprias comunidades. Outro resultado é a descrença que se faz hoje nos eleitores brasileiros (com toda a razão), e o que é visto é o distanciamento entre os políticos e a comunidade. Não há corpo a corpo entre esses atores, e o motivo pelo qual não é necessário abordar aqui.

Os vícios da política brasileira, que vêm de longe, em muitos municípios são considerados os vírus contagiosos da compra e venda de votos, que resultam na quebra do elo comunidade-política, porque quem compra não tem compromisso com ninguém e quem vende perde a sua arma de ataque, que é o voto. Assim, nesse mercado truculento, não se permite aos atores (políticos e eleitores) a prática do debate de ideias de mudanças democráticas. O ciclo se fecha na omissão, e tudo se repete na farsa hodierna.

Enfim, nesse contexto, as alternativas democráticas se perdem juntamente com as reivindicações da sociedade civil organizada: tanto abaladas no bojo dessa política insignificante, inócua e perniciosa. Admite-se, portanto, nos dias de hoje, o avanço tecnológico associado a novos políticos com velhos costumes saídos da República Velha do início do século passado.

Newton Emediato Filho é natural de Belo Vale e especialista em Política pela Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), vinculado à UFMG.


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