quinta-feira, 23 de outubro de 2025

PROJETOS INFANTOJUVENIS - Lei de Incentivo Federal - 2025


📚 Um Menino que Passou a Ler — Projeto Cultural e Socioeducativo

Ilustrações de Uendel Assis Dias (UEMG)

Esse projeto literário foi oficialmente aprovado e reconhecido pelo Ministério da Cultura e transformado em um projeto cultural com direito à captação de recursos.

Aqui está um panorama do que ele representa:

🌟 Objetivos do Projeto

  • Distribuição de livros: Edição de 2.000 exemplares do livro.
  • Apresentações públicas: Realizadas em nove cidades mineiras, em espaços culturais, educacionais e assistenciais.
  • Promoção da leitura: Incentivar o hábito da leitura literária como forma de prazer, algo transformador e desenvolvimento pessoal.
  • Formação cidadã: Estimular o pensamento crítico, a autoestima e a interação social.
  • Distribuição de livros em braile para serem distribuídos de forma gratuita às instituições que promovem a defesa de deficientes visuais.

📖 Resumo

O protagonista é um estudante do ensino fundamental que, inicialmente, vive uma série de conflitos e atitudes antipedagógicas. Após enfrentar rejeição e isolamento, ele passa por um processo de autocrítica e transformação. Descobre o prazer da leitura, recupera sua autoestima e reconstrói suas relações sociais. A história mostra como a leitura pode ser um instrumento poderoso de mudança e felicidade na infância.

Esse projeto é um exemplo inspirador de como a literatura pode impactar vidas e comunidades em nove cidades de Minas Gerais.

Você pode se envolver no projeto cultural de várias maneiras, dependendo do seu interesse e disponibilidade. Aqui estão algumas opções:

📌 Formas de Participar

  • Apoio financeiro ou institucional: O projeto foi aprovado pelo Ministério da Cultura e está autorizado a captar recursos. Empresas e pessoas físicas podem apoiar via leis de incentivo à cultura (Federal), recebendo benefícios fiscais, ou seja o projeto está enquadrado no Artigo 18, ou seja, a renúncia fiscal de 100% no Imposto de Renda.
  • Participar das apresentações: O projeto realiza eventos em nove cidades mineiras, em espaços públicos e assistenciais. Fique atento à programação local para assistir ou colaborar com a organização.
  • Divulgação e voluntariado: Você pode ajudar divulgando o projeto nas redes sociais, escolas ou bibliotecas. Também pode se voluntariar para ajudar nas apresentações ou na distribuição dos livros.
  • Doação de livros ou materiais: Embora o foco seja o livro do autor, iniciativas paralelas como doação de livros para bibliotecas comunitárias ou escolas podem fortalecer o impacto do projeto. É a promoção da acessibilidade em que 200 livros em braile serão distribuídos de forma gratuita as instituições humanitárias que protegem os deficientes visuais.

Quais são os benefícios fiscais para apoiar o projeto?

Apoiar projetos culturais como Um Menino que Passou a Ler por meio da Lei de Incentivo à Cultura oferece benefícios fiscais bastante atrativos para pessoas físicas e jurídicas no Brasil. Aqui está um resumo claro:

💰 Benefícios Fiscais para Incentivadores

👤 Pessoa Física:

  • Dedução no Imposto de Renda: Você pode deduzir até 100% (Projeto enquadrado no Artigo 18) do imposto devido ao apoiar projetos aprovados pela Lei de Incentivo Fiscal Federal – Ministério da Cultura – Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura.
  • Forma de apoio: Basta fazer a doação ou patrocínio e incluir o recibo (Mecenato) comprovante na declaração de IR.

🏢 Pessoa Jurídica (Lucro Real)

  • Dedução de 100% do imposto de renda devido.
  • Patrocínio ou doação: Empresas podem apoiar com visibilidade (patrocínio) ou sem contrapartida (doação).
  • Marketing cultural: O patrocínio permite associar a marca ao projeto, o que pode gerar retorno institucional e de imagem.

📌 Importante Saber

  • O projeto precisa estar aprovado pelo Ministério da Cultura e com autorização para captação de recursos, como é o caso do projeto de Newton Emediato Filho.
  • O incentivo é feito por meio de depósito direto na conta do projeto, vinculada ao Ministério da Cultura.
  • O apoiador recebe um recibo oficial (Mecenato) que serve como comprovante para dedução fiscal. Em três vias e os recibos irão para o proponente, o investidor e para o Ministério da Cultura – plataforma do Salic - Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à cultura.

📚 Sinopse de Um Menino Que Passou a Ler

·        O livro narra a trajetória de um estudante do ensino fundamental que, inicialmente, se envolve em diversas atividades antipedagógicas dentro e fora da escola. Suas atitudes causam alvoroço na cidade e o levam a um estado de isolamento e baixa autoestima, especialmente em relação à vida acadêmica.

·        Com o tempo, o menino inicia um processo de autocrítica e transformação pessoal. Ele começa a cuidar mais de si, adota novas atitudes e descobre o prazer da leitura literária. Essa descoberta se torna um ponto de virada em sua vida, proporcionando mais qualidade de vida, felicidade na infância e reconexão com sua identidade, amizade e respeito entre os colegas.

·        O livro celebra o poder da leitura como ferramenta de desenvolvimento cognitivo, social e emocional, mostrando como ela pode transformar vidas mesmo em tempos dominados pela tecnologia.

🌟 Exemplos de passagens impactantes (recriados com base na essência do livro)

  • Sobre o despertar para a leitura literária;
  • Sobre o isolamento e a mudança;
  • Sobre a transformação pessoal;
  • Sobre o poder da literatura e de identidade.
  • Contato com o autor ou organizadores: A melhor forma de se envolver diretamente é entrar em contato com Newton Emediato Filho (31) 9823 89329 ou com os responsáveis pela execução do projeto. A página Correio de Minas traz detalhes sobre a aprovação e pode ser um bom ponto de partida.

 📚 Izelino e sua Roça — Projeto Cultural e Socioeducativo - obra folclórica.


Ilustrações de Uendel Assis Dias (UEMG)

Izelino e sua Roça,  é, de fato, um projeto cultural idealizado por Newton Emediato Filho, reconhecido pela Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura do Brasil. O projeto valoriza a cultura rural brasileira, especialmente os saberes, causos, tradições e modos de vida do interior de Minas Gerais.

🎭 Sobre o projeto Izelino e sua Roça

  • Reconhecimento: Aprovado pela Lei Rouanet (Lei de Incentivo à Cultura – Ministério da Cultura);
  • Personagem central: Izelino, um típico morador da roça, que compartilha com humor e sabedoria os saberes do campo, apesar de toda a realidade que o cerca;

· Izelino e sua Roça, uma obra folclórica, é um livro infantojuvenil que mergulha nas paisagens e personagens do interior mineiro com uma linguagem poética e sensível.

Objetivos específicos:

  • Resgatar e preservar a cultura caipira e rural, com foco em personagens típicos, histórias do campo, e expressões populares; uma radiografia pungente da realidade rural brasileira;
  • Confeccionar duzentos livros em braile que serão distribuídos de forma gratuita à Instituições Comunitárias que promovem e a inclusão de deficientes visuais.

Fomento à leitura como prática transformadora para todas as idades.

O projeto propõe a edição de dois mil e quinhentos exemplares do livro, com apresentações em sete cidades mineiras, realizadas em espaços assistenciais e culturais. O objetivo é resgatar manifestações folclóricas do mundo afrodescendente, muitas das quais foram dizimadas de forma indelével no Brasil. Além disso, busca-se despertar o gosto pela leitura como um hábito prazeroso, formando cidadãos críticos e impactando positivamente o desenvolvimento cognitivo, as relações interpessoais e a tomada de decisões. Se conseguirmos a façanha de formar leitores em uma época em que a tecnologia oferece tudo pronto dispensando até mesmo o ato de pensar, teremos alcançado um feito significativo. Somente com o conhecimento e a sensibilidade proporcionados pela leitura é possível enfrentar a aculturação imposta à nossa sociedade pelo mundo globalizado. Soma-se a isso a promoção da acessibilidade, confecção de duzentos livros em braile, e da inclusão de brasileiros, com deficiência ou não, que vivem nas periferias das capitais nacionais.

Sinopse do livro:

   Os costumes, os hábitos, a linguagem e o folclore compunham uma rica        diversidade cultural no Brasil. Os trabalhadores rurais sobreviviam da            agricultura de subsistência, cultivando milho, feijão e arroz. Izelino, protagonista  da história, era colono e morava nas terras do patrão, que lhe cedia uma pequena gleba. Com o uso contínuo, essa terra tornava-se “cansada” e infértil.

   Naquela época, havia uma manifestação cultural tradicional: colocar o “tiborna” na roça descuidada. Antes das festas natalinas, as plantações de milho, feijão e arroz deveriam estar capinadas e bem cuidadas.

   O trabalhador rural que não procedia assim, deixando a roça tomada pelo mato, não escapava da censura da vizinhança. Nesses casos, introduzia-se na roça abandonada o “tiborna”. Este era o boneco, vestido a caráter, recebia nos bolsos versos satíricos escritos pelos vizinhos mais criativos, que zombavam do dono desleixado. Essa manifestação cultural, envolta em poesia, era uma atração e uma forma de diversão para aquela gente nos fins de ano, no sertão profundo. Nos dias de hoje, restam apenas lembranças, casos, dessa tradição do cerrado brasileiro.

   Izelino, afrodescendente, era um trabalhador rural que lutava arduamente, mas em vão, para oferecer melhores condições de vida à família. Após muito esforço, ele e os seus decidiram mudar-se para a capital. Lá, acreditava que, com um bom emprego, poderiam finalmente alcançar uma vida melhor. Imaginava que os filhos teriam acesso à educação, saúde e moradia digna.

  Décadas mais tarde, já ausente do campo, Izelino enviou uma carta a seu antigo patrão.

  A obra pode ser lida pelas crianças, pelos jovens e adultos.

Este projeto não só celebra a cultura do interior mineiro, mas também busca inspirar jovens leitores e fortalecer a identidade regional por meio da literatura. É uma iniciativa que une memória afetiva, educação e arte de forma muito a desenvolver a consciência crítica.

Esse tipo de projeto é fundamental para manter viva a memória cultural do Brasil profundo, especialmente em tempos de urbanização acelerada.

e-mail : newdiato@hotmail.com   

 

No Quilombo da Chacrinha em Belo Vale em Minas Gerais


                                    Ilustrador dos livros Uendel Augusto Assis Dias (UEMG)




O Menino que passou a Ler


                                   Izelino e sua Roça - obra folclórica


sábado, 16 de março de 2024

Cerradonautas

 

CERRADONAUTAS



Bem ao amanhecer com sol,

primeiro: café quilombo no terreiro.

- Quiser enxerga; toca; sente; cheira...

A vegetação oculta, quase intacta.

Flutuando entre palavras,

a decifrar mistérios.

Numa velha fazenda de tábuas móveis,

na parede: ancestralidade.

Navegar em espaços subterrâneos!

- Ouve, fala ou silencia...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

IHGC - INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE CONGONHAS

 

Antonio Vicente Vieira - Cadeira nº 3 - Patronesse: Irmã Maria Suzana
Carta ao Confrade Newton Emediato Filho

Quero, em primeiríssimo lugar, lhe dar os parabéns por ter escrito suas estórias ou histórias, como queira chamar. Sei o tanto que é difícil criar um mundo novo.
Passar ao papel branco, ansioso de sua criatividade, suas ideias mais sublimes exige grande esforço e conhecimento, que o caro amigo demonstrou possuir.
Li e reli com muita ansiedade o livro de histórias que Newton publicou - Todos os Dias de Ontem .

Para isso, Newton teve contato com comunidades quilombolas e fazendas tradicionais de Minas. Cada leitura, uma nova visão do conto.
Nesse livro, procura preservar a cultura regional e o faz com muita propriedade.
Valoriza ele as raízes culturais do Alto Paraopeba e a região central de Minas, trazendo histórias das tradições orais dessas regiões.

Newton é um contador de casos maravilhoso.

Personagens como Tango, Bianca, Fabrício, Geralda, o vaqueiro “Sim”, Sacatrapo, entre outras, são personagens que nos proporcionam grande encantamento e deslumbramento.
Nessa oportunidade, recomendo a leitura e aquisição desse livro.

As histórias, o linguajar utilizado, protegem e divulgam as raízes culturais da nossa região e da parte central de Minas.

Parabéns Confrade Newton Emediato Filho por nos proporcionar histórias maravilhosas.
Grande abraço!

Foto: Palestra do Confrade Newton Emediato Filho sobre os 70 anos da comitiva de João Guimarães Rosa pelo sertão mineiro. Auditório da ACLAC - 24/06/2022.





sábado, 20 de abril de 2019

Um Tempo para Ler

Literatura em Foco - Lançamento Coletivo Em Contagem/Minas Gerais

Presença do Grupo Pasárgada

  
Kátia Romano Fernando Perdigão e Olavo Romano

 
Olavo Romano 

Os autores Newton Emediato Filho e Marta Reis lançaram livros neste ano de 2019, dentro do projeto Coleção 32 da Sangre Editorial. A editora mineiro portenho, do editor Leonardo Costa Neto, traz como proposta à cadeia produtiva do livro a publicação de trabalhos individuais, a partir de projetos coletivos, reduzindo os custos e aproximando autores do público leitor. São livros feitos artesanalmente, costurados e numerados um a um, em Buenos Aires. Mais do que portadores textuais, eles passam a ser objetos-arte.


Newton Emediato Filho
Newton Emediato Filho, natural de Belo vale, lançou o livro: Um Tempo para Ler que reúne alguns contos de seu segundo livro Todos os Dias de Ontem. São contos premiados pelo Festival Manuelzão e em outros concursos realizados em São Paulo e Rio de Janeiro. Também traz conto que recebeu prêmio pela SOBRAMES - Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Escola de Medicina da UFMG). O prêmio pela Fundação Nacional de Artes (FUNARTE) possibilitou a publicação do livro Todos os Dias de Ontem. Com essa nova publicação o autor tem três livros publicados, sendo o primeiro Um Carro de bois que Transportava Logos que recebeu edição em Portugal pela editora EMOOBY.


Marta Reis
Marta Reis é natural de Martinho Campos – MG, porém mora na grande BH há mais de trinta anos. A autora publicou pela mesma editora o livro Canção Neblinada que é uma mostra de seu trabalho como contista premiada em concursos nacionais e internacionais. A autora é também escritora infantil com dois livros publicados pela Geração Editorial e ilustrados por Thais Linhares. O primeiro livro da autora é Uma Viagem Inesquecível, que a Revista Recreio listou em 2016 como um dos cinco melhores livros infantis para incentivar a criança a gostar de ler. Já o segundo livro da autora O Ratinho do Violão que trata do tema bullying e respeito à diversidade foi aprovado para o PNLD Literário 2018 e 2019 - Plano Nacional do Livro Didático Literário e está chegando em muitas escolas brasileiras.


Ambos os autores já lançaram coletivamente suas obras Um Tempo para Ler e Canção Neblinada em março e abril de 2019, juntamente com outros autores da mesma editora. Os eventos aconteceram na Biblioteca Pública Estadual em Belo Horizonte e no Centro Cultural de Contagem. Foram eventos literários especiais que celebraram a literatura em Minas e tiveram apoio do Grupo Pasárgada – movimento de arte e vida no lançamento em Contagem, além do apoio de Olavo Romano, grande contador de causo mineiro e ex presidente da Academia Mineira de Letras. Olavo Romano esteve nos dois eventos. Newton Emediato Filho e Marta Reis percorrerão algumas cidades mineiras divulgando suas obras, podendo ter, ocasionalmente, outros autores com eles, no intuito de parceria e fortalecimento da arte literária em Minas.

Para conhecerem melhor as obras dos autores, acessem: Facebook: Marta Reis Literature https://www.facebook.com/MartaReisLiterature/ Blog: Marta Reis Leitura e Escrita http://martareisescritora.blogspot.com/p/biografia.html

sábado, 25 de julho de 2015

Um papagaio Palimpséstico

Naquele dia – na beira da tarde –, logo acima do curral oval de poucas gramas, estavam sentados Pedro pai e os meninos da fazenda. Todos sentados na parte de capim menos castigado pelo gado. O tempo caótico naquelas paragens... O vento – forte e frio – expulsava as nuvens nefastas, armadas longe. No vale as nuvens aglomeram e às vezes com trovões pequenos.

Portanto, há qualquer momento poderia chover – é o fim da colheita das grandes plantações de milho e feijão na Soparimba. Pedro pai manipula um saco plástico de adubo e, com suas mãos ásperas, dá retoques simétricos no quadrado de plástico. 

Para isso usa uma velha tesoura de ferro de tosar as crinas dos cavalos; tem válida serventia. Nesse saco plástico, reciclável, as palavras grafadas em letras grandes se encontram danificadas e até apagadas. Ao lado daquele cocho, na grama, em repouso há três gravetos medidos de alecrim coletados no cerrado, horas atrás. Além disso, jogados no chão, um facão e uma foice mal amolados. Nesse chão, Pedro pai estendeu o saco tosco, bem aberto e desamassado, que permaneceu ali na espera sobre a areia misturada com o barro de estrume de gado seco. Pedro pai contém um riso enigmático nos lábios, experimenta os gravetos, alisa e morga-os. 

Repara bem. O experimento pode resultar, no final, em logro para os meninos de olhos espertos e ansiosos. Os gravetos, em forma de cruz, são amarrados com pedaços de embira. 

– Pedro pai, quando ocê rasga a embira com as mãos embebidas de restos de água, ela traz cheiro tão bom! 

O graveto mais comprido, quando é alisado a canivetadas, morgado no amarro, forma em equilíbrio uma meia-lua. Logo após essa envergadura, também amarrado nas partes superiores dos dois gravetos – em forma de cruz –, o esqueleto da estrutura é testado contra o vento várias vezes seguidas. Sobre o saco plástico, a armação estruturada de forma aerodinâmica teve o amarramento ordenado – bem posto e caprichado. Tem de fazer, então que faça com calma, é fato indubitável! 

Pedro pai perscruta o tempo, pois o seu maior desafio está prestes a acontecer e tem que contar com a sorte e com o tempo. Verifica e aperta bem as amarrações do seu empreendimento. A rabiola, por fim, os meninos a fazem utilizando um bom barbante grosso e restos de outro saco plástico. Mas quando Pedro pai testa o seu protótipo imenso – capaz de assustar qualquer transeunte –, levantando-o contra o vento, percebe o estorvo e solta vitupérios, descartando de imediato a rabiola que rabeava – puxando de lado –, o que deixou os meninos boquiabertos e queixosos...

 – Vumpt, vumpt... é o vento forte contra o enorme papagaio de Pedro pai. Nessa perspectiva, os meninos correm a conduzir, a uma certa distância, o papagaio, levantando-o até quanto pudessem. No vento muito forte o papagaio foi solto, rompendo os bambuzais... alçando vôo... decolando... enfim. Na verdade, bastou largá-lo e o tempo se encarregou, num instantâneo, de realizar o resto. Parecia mais que nem um passarinho; Pedro pai realçou isso em seu rosto, na hora. 

Aquele papagaio imenso, que foi motivo de tanta burlescaria, agora estava nos céus da Soparimba. As escritas no plástico, ainda nas alturas, se deixam vislumbrar ora sim, ora não. A manivela com a linha de nylon adquire um peso dantesco e, aos poucos, Pedro pai libera mais e mais linha. O vento cada vez mais forte sopra no vale da solidão. O céu está carregado de uma cor turva que vai se acumulando – concentrando no vale. O peso aumenta ainda mais quando os meninos acrescentam na linha pedaços de papéis com diversificadas palavras. Palavras escritas com carvão. As letras foram rasuradas quando corrigidas umas sobre as outras, assim rapidamente, quando Pedro pai reescreve uma palavra em cima da outra. Logo as palavras, amarradas na linha de nylon, atravessam as cercas do curral, as formas das árvores, e passam por cima da grande casa da fazenda, se elevam nas alturas: tudo aquilo se tornou muito garrido. 

Pedro pai manda os meninos enviar mensagens para o mundo de lá. Paz, amor, alegria, “armonia”, abundância, “cassa”, roupa, perseverança, casa, “lápisc”... Seguem para o céu em meio às trovoadas. A linha é liberada totalmente da manivela e Pedro pai não suporta tanta batalha pesada. Luta contra o tempo. Vêm os primeiros pingos da chuva, e ele, sapeca, corta com o seu canivete a linha sem que os meninos saibam. Deu a impressão de que a linha tivesse arrebentado por si mesma. Mesmo porque, àquelas alturas, o homem, resignado, não tinha como lutar mais contra a natureza. O papagaio ainda fora visto, nas alturas, pela ultima vez sendo arrastado pelo vento forte nas nuvens agitadas. Os meninos, com suas cabeças erguidas para o céu puderam ouvir ainda as palavras de Pedro pai, indo na direção do paiol, enquanto eles fugiam para dentro da casa: 

– Eu é que nunca vou sair da Soparimba! 

                                                                    &

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Revista Pais & Filhos - Virtual




#livro "O ratinho do violão" escrito por Marta Reis e ilustrado por Thais Linhares. A história de Chiquinho se repete com milhares de crianças e adolescentes pelo mundo: os traumas e sofrimento causados pelo bullying. Com texto sensível e lúdico, o livro emociona adultos e crianças, ajudando a formar pessoas mais conscientes, que saibam tratar o outro com mais consciência e responsabilidade.