quinta-feira, 1 de novembro de 2012

INTERFACES ROSEANDO COM DOS ANJOS





Em Grande Sertão: Veredas - o narrador personagem convida Dos Anjos a participar da grande guerra travada contra o signo arbitrário.
Riobaldo grita e acena:
– Vamos atravessar a rio, amigo Dos Anjos? Vamos guerrear em busca da vida!

Dos Anjos, ao lado de jagunços como Drumõo, Tipote, Alaripe, Otacília, Seu Habão, Suzarte, Alaripe, Nelson, Quipes, João Vaqueiro e tantos heterônimos enigmáticos. Todos, porém, são arteiros!

Pois saibam vocês que
os bardos poetas heróicos
se agrupam em defesa da língua,
numa guerra simbólica.
Em jogo, o prêmio máximo: Otacília –
musa que remete à Academia de Letras.

A saudade quando chega
é o sinal de fim dos tempos,
amigo dos Anjos...
No desfecho dessa guerra,
dê sua alma em favor de outra vida!     

Morre, nesta luta pela vida e honra, a sua língua!
Queria ele no fundo lutar contra a língua paralítica?
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
com muito prazer
interajo palavras
que foram tuas, Oh! Amigo dos Anjos.

numa rua suja
ninguém batalha letras,
gado humano

A minha vida era um sentimento meu
por isso, caro poeta,
Não duvido: detrás da personagem central –
a morte – existem veredas explodindo vida.  

Altruísta verbal
poeta brasileiro
não escreve há mais de cem anos.

Poetas são possuidores
de autobiografias irracionais...
Tendo em mente inspirações metapoéticas:
Aragem do sagrado. Absolutas Estrelas. despede-se Rosa.
– vinda de outras eras... – Ao que Augusto dos Anjos arremata.

NOTA: Seria Drumõo uma alusão que Rosa fez ao Poeta Carlos Drummond de Andrade?
E Dos Anjos. O livro Eu de 1912 encontra-se na lista dos dez melhores livros da Literatura brasileira segundo anotação de Guimarães Rosa encontrada em uma de suas cadernetas.   

Triunfo a Augusto dos Anjos